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domingo, 4 de setembro de 2011


Engraçado... Me deparei com um blog hoje em que um sujeito se propõe a discutir música, filosofia e guitarra. Três das coisas que fizeram parte da minha vida e ainda fazem. Mas ao contrário de alguns blogueiros, e justamente o blogueiro que escreve o referido acima, não faço do meu blog um receituário moral pra ninguém. Pior: confundir filosofia com prescrições morais, pois filosofar é questionar, e questionar valores morais absolutos. E há várias maneiras de questionar. Uma delas e é a que eu faço neste blog é me expor ao ridículo. Prefiro partir do espanto que é ser você mesmo. Eu não tive bandas por muito tempo, sou formado em violão erudito, mas nunca fui um violonista, nem cheguei mesmo a cursar faculdade de música. Fiz a cagada de escrever uma dissertação sobre o Xenakis, que não serve pra nada, nem para mim nem para os outros. Nunca andei com turmas de pessoas que gostam das mesmas coisas pelo fato de que eu mesmo não sou fiel a nada, música pra mim é antes de tudo uma experiência individual, como experiência social é secundário. Veja bem! Não estou emitindo um juízo – “música enquanto experiência social não é válida” – não é válida pra mim! Constatar isso já é meio caminho andado para uma percepção de si que confunde humildade com saber rir e desvalorizar a si mesmo.
            Num mundo que supervaloriza o indivíduo que tem auto-estima, que recicla, que acredita em sustentabilidade, é vegetariano, tem uma família feliz, acredita na “boa música”, enfim... uma coleção de patacoadas! Prefiro seguir o caminho do “espíritodeporquismo”. Outro dia um cara, que também tem um blog sobre música, disse que o novo álbum do Dream Theater era muito bom, e eu prontamente emiti a opinião de que “o mundo seria bem melhor sem uma banda dessas”. O cara respondeu ironicamente agradecendo o fato de eu “enriquecer” o debate. Bom... estou pouco preocupado com “riqueza”, prefiro a “pobreza”. Se for para entrar num debate vou com o intento de aflorar preconceitos, más opiniões, o pouco e nada do que sabemos sobre qualquer coisa, inclusive sobre música. Justamente porque música está naquele lugar em que é, do ponto de vista evolutivo, um luxo. Mas há aqueles que preferem a música como “reminiscência” platônica.
Por quê? Não me sinto na posição de ser exemplo pra ninguém. E o próprio fato de dar exemplo é algo como apoiar-se em si mesmo como modelo virtuoso. Partindo desse “virtuosismo”, que nada tem a ver com ser filosófico ou não, não me sinto na posição de impor como “deve” ser uma discussão sobre música.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Um apanhado de coisas...


            Não fui acostumado em minha educação a gostar de carros e velocidade e muito menos relacionar tais coisas à virilidade. Aprendi a dirigir porque é uma espécie de “mal necessário”. Na maior parte da minha vida sempre me desloquei a pé ou usando transporte público e disso nunca me envergonhei. Por um curto período usei o carro do meu pai. Agora não tem jeito. Minha mulher está grávida e preciso pegar o carro. Haja barbeiragem. Já detonei o carro da minha digníssima esposa duas vezes. E é lógico: ela tem medo de andar comigo.
            Casamentos. Detesto ser solicitado a dar dinheiro em casamentos que eu mal conheço os noivos. E por que eles pedem só para os homens? Como se a mulher de hoje não trabalhasse. Como se 99% delas ainda fossem classificadas como “do lar”. Se o presente está dado então obviamente não tenho obrigação de dar dinheiro. Mas criam a situação como se fosse uma brincadeira e se você não brinca vai automaticamente para o “eixo do mal”. E outra... sou impregnado daquela visão de que dinheiro é uma coisa “suja”. Se estou numa festa em que já presenteei os festejados me sinto completamente constrangido em ter que dar dinheiro. “Precisamos mesmo tocar nesse assunto? Agora?”
            Comecei a estudar latim. Minha primeira iniciativa em tentar compreender as antigas línguas da filosofia. Espero que me auxilie na compreensão das línguas românicas clássicas, pois tenho uma gramática comparativa e em breve quero ler textos em francês, espanhol e italiano com maior destreza. O próximo passo é estudar grego. Quero poder ler alguns dos diálogos de Platão em grego.
            Que merda! A guitarra não anda fazendo parte da minha vida nos últimos tempos... Mas em breve volto a ela. Quando deixo de tocar é porque tenho questões internas a resolver. Enquanto isso vou baixando os álbuns das listas do site Pitchfork. Neste exato momento estou ouvindo “Fig. 5” da Jackie-O Motherfucker. Tenho um problema sério com essas bandas bagunceiras. Ou eu gosto de coisas que experimentam ao máximo com pouco (guitarras, baixo e bateria) ou de música eletrônica ou uma mistura de ambas. Essas bandas que juntam um monte de quinquilharias e compõem peças longuíssimas não me atraem. Acho extremamente maçante.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Les Savy Fav – Rome (Written Upside Down)

Apesar das guitarras o álbum inicia nos lembrando que calculadoras de bolso foram e são bastante importantes para música pop. Nos defrontamos com uma pegada na cara com riffs em staccato um tanto rude na primeira faixa, que cede a uma melodia mais elevada no meio da canção combinadas com o som da calculadora de bolso. A segunda faixa começa com uma simplicidade campestre e limpa nas seis cordas de um lirismo comovente. Nem tudo que é indie reluz. A luz aqui é imanente. São canções e nada mais. É perceptível a escola de washington combinada com timbres sintéticos aliadas ao melhor da tradição da música popular do século dos séculos. A Les Savy Fav não traz nada de muito complicado a ser desvelado ou regurgitado. De um lado a tradição do uso de timbres sintéticos e de outras sonoridades que remetem ao momento pós hardcore estadunidense. Não tenho muito a dizer que não possa ser escutado. É apenas um álbum que peguei de uma lista de um site especializado nessa coisa inútil que chamamos de “música popular contemporânea”.

domingo, 24 de julho de 2011

Ash Ra Tempel - Inventions for Electric Guitar






A experiência da própria vivência da escuta na música de Ashra. De imediato somos arremessados em camadas múltiplas de guitarras em delays de tempos diversos. O álbum todo é construído dessa maneira. Padrões que se repetem e dão lugar a outros padrões. Música, por assim dizer, minimalista. O material é restringido a um corpo de timbre específico circundado por uma idéia bem fixa de formas. Há três peças que compõem a obra. A primeira tem pouco mais que dezessete minutos. A segunda pouco mais que seis minutos. Finalizando, uma peça com pouco mais que vinte e um minutos. O que é que se inventa para a guitarra elétrica por aqui? A partir do pouco se inventa. É perceptível o distanciamento do que se espera de uma guitarra elétrica, quase sempre ligada à tradição negra da música norte-americana. O que podemos perceber aqui é uma gigantesca invenção mínima cujas nuanças vão se desvelando após longas escutas. Invenção aqui adquire o status de testamento de iluminação espiritual. Estamos em território cuja altitude é bastante elevada. Na primeira peça, por exemplo, encontramos quase nada de drive, a guitarra soa sempre cristalina, pois a invenção se dá em outro espaço, o tempo aqui se confunde naturalmente com o espaço. Como helicópteros melódicos em ondas incessantes de ecos. No último quarto da peça surge uma guitarra com drive mais acentuado evocando a vastidão de grandes vales geológicos. Erigidos em longas e extensas eras temporais. A saturação surge aqui como um espinho doloroso, nos lembrando da matéria, que não estamos apenas em território metafísico espiritual. Ao contrário dos anjos que perpassam a peça, ela também nos evoca o príncipe deste mundo. O que é necessário. Vence a matéria, a peça termina com o espinho proeminente. O segundo movimento dessa quase sinfonia evoca a solidão de um quasar no seio do universo em expansão. O leitor pode perguntar por que tantas metáforas astronômicas... Porque a cosmologia por mais que seja revestida de metafísica barata não deixa de ser matéria. A astronomia nos leva com suas explicações à pequenez e à santa finitude do que perece. “Quasarsphere” é como um Kyrie. O terceiro movimento, “Pluralis”, retoma os aspectos do primeiro, mas notamos aqui timbres sintéticos orquestrais espaciais perpassando a linha melódica que se repete. As orquestrações insistem num oscilação panorâmica bastante prazerosa, passando de um lado a outro nos gratificando com verdadeiras ondas de felicidade paisagística. As melodias nas seis cordas se desenrolam em arabescos que vão dos registros mais altos aos mais baixos enquanto as orquestrações passeiam flores de múltiplas cores. Faltando quase sete minutos uma onda de drive resplandece por entre as flores coroando com magnanimidade esta peça vasta em nuanças profundas. Com um grito de dor no seio da divindade. A sensação grassante das orquestras que adentram uma multitude de defasadores nos brinda com uma felicidade imensa, a felicidade que se pronuncia na paz. O órgão nos rememora de nossas origens do alto. Contentamento.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Meu equipamento...

Do meu equpamento sai um sujo com influências de blues, punk e rockabilly e sludge. Ultimamente não ando dando tanta atenção a ele. As razões: ninguém pra tocar e interesses em outras coisas.

Relação do equipo:

- Ampli JPL 65R
- Guitarra Giannini Sonic original da época
- Pedais: 
               - Boss - Emulador do ampli "'59 Bassman"
               - Danelectro - Corned Beef (reverb)
               - Fuhrmann - Tube Drive
               - Danelectro - French Toast (octave distortion) - na verdade um fuzz...






escrevo para o meu filho...

tudo o que escrevo é para a Samira e meu filho... para que eles saibam quem sou... amo vocês....

Da significação a-histórica do sonoro...


Outro dia um cara me pediu pra que dissesse o que estava escutando de bandas novas. Há muito que não sigo mais a cartilha do mundo jornalístico musical. Buscar o que há de mais novo, mais interessante, o pop mais rebuscado, listar os novos lançamentos, pois estes são uma prerrogativa e um imperativo da indústria fonográfica. O que diz respeito a mim como indivíduo sou eu quem decide, por mais que tais escolhas estejam impregnadas de outras prerrogativas e imperativos, que eu mesmo desconheça, que não estejam claras, mas pelo menos abertas a uma nova exploração. E toda nova exploração se abre a novas e infindáveis perspectivas. E nos guiamos por tais perspectivas como tateamos novos territórios... Como cegos admirados por um mundo repleto, pleno, cheio, convulso.
Ao contrário de uma certa imprensa que superestima a coleção, o objeto, o ter, em oposição ao sentir, ao ouvir, ao escutar, e de todo o processo auditivo que decorre desde o som emitido por qualquer fonte sonora e seu conseqüente processamento neurológico. Pelas mesmas razões pouco me interessa o precípuo conferido ao histórico. Na maioria das vezes o histórico da vida de um músico, banda, ou, seja lá quem for que por uma força inelutável sinta o chamado mundano de fazer-se ouvir transformando o mundo em sonoro, e o mundo é sonoro, pois energia é igual massa vezes velocidade ao quadrado (até a Mariah Carey sacou isso), não me interessa. O que me interessa é o som. Este só se atualiza no exato momento em que o percebemos como tal. Portanto se uma “obra” ou qualquer coisa que tenha conquistado ou questionado o status de arte, seja ela acabada ou não, experimental ou não, o sonoro é o que me interessa.
O meu objetivo é imprimir uma significação a-histórica do sonoro.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sobre escrever sobre música...


Há anos venho tentando achar uma solução. O que escrever sobre música que não seja resenha, crítica, reportagem, matéria, artigo – jornalismo musical? Não sei. Entre 2003 e 2006 escrevi uma dissertação de mestrado sobre Xenakis, o compositor grego sitiado em Paris durante o pós-guerra (para mais informações baixe a minha dissertação aqui - http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27140/tde-05072009-183519/es.php ). Tentei iniciar uma possível atividade em música experimental acadêmica usando a linguagem de programação musical CSound. Acabei desistindo. A demanda de tempo e as vicissitudes da vida acabaram por me levar a outros caminhos. Hoje sou professor de sociologia no estado de SP. Em 2009 consegui comprar meu primeiro e tão sonhado equipamento – guitarra, ampli e pedais – e de lá para cá tive apenas uma experiência com banda, mas não menos intensa no Drink a Beer for a Better Life. A banda não foi para frente, pois um dos integrantes, um decasségui mudou-se novamente para o Japão para tentar uma vida melhor.
            Também comprei inúmeros livros instrucionais de jazz para estudar e baixei muitas outras coisas de blues também. Venho estudando, às vezes com mais convicção, outras com livre vontade, sem me prender a rígidos esquemas, só tocar.
            O principal problema de tocar e formar bandas no interior de São Paulo é que não há um cenário (não quero dizer com isso “cena”), ou seja, há poucos músicos, pouca gente interessada em dedicar uma parte considerável de seu tempo a seus instrumentos, e não quero dizer com isso estudiosos virtuoses, que há aos montes por aí. São poucos os que se interessam por novos caminhos. Enfim... Vou levando como é possível.
            Espero escrever sobre música no blog, inclusive escrever sobre publicações e textos que acompanho, mal, mas acompanho. Mas principalmente encontrar novos caminhos, destoantes do chamado “jornalismo musical”. Penso num texto com bases filosóficas fenomenológicas e existenciais.
            Até...