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domingo, 28 de agosto de 2011

Vida...



Caramba! Mais uma vez meu netbook deu um pau daqueles e fiquei sem postar desde a última semana. Pelo menos, das minhas atividades obrigatórias online, nada foi comprometido. Tive que ficar sem meu som e só escutando CDs. Tentei ouvir algumas coisas de música erudita, mas não deu muito certo em função do minha atual tendência para sonoridades extremas. E nessas trazendo pro meu HD coisas antigas de que já tinha feito backup e coisas novas que ando baixando. Acho que minha preferência por sons extremos evidencia minha descrença nas relações humanas, num futuro humano que possa ser minimamente suportado. Acho a existência insuportável. Uma das coisas que mais me causam receio de ter filho é a extrema superestimação da vida. A vida, seja lá como for, não é boa.
Ouvir coisas extremas me dá uma vontade louca de tocar coisas igualmente repulsivas. A primeira coisa que teria que fazer é trocar os três singles da minha Peavey e colocar um humbuck V8 da Cabrera, mas vivo um momento em que tenho que usar a razão. Por mais enfadonho que possa parecer, e não é, tenho que pensar no meu futuro profissional e no meu filho. Por isso ando investindo em muita leitura e livros de filosofia, secundariamente literatura. E acho que já gastei tanta energia com música que não deu em nada que já me deu no saco. O que espero fazer nas próximas semanas com relação a isso? Vou escrever mais resenhas estúpidas de discos que eu gosto e vou montar alguns sets, mixtapes do pedra, para deleite dos meus leitores.
Contrastando com isso tudo, revisando conteúdos de história da filosofia, descobri um interesse latente desde sempre acerca do pensamento cristão medieval e coisas afins como o pensamento gnóstico. Sei que tais coisas são ás vezes um interesse esporádico, uma fase, ou uma fase que dura a vida inteira. Prefiro viver na incerteza de não ser algo acabado e aberto a novas possibilidades.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Bologna Violenta - Weirdo - Kendo : Três petardos do breakcore


Bologna Violenta – Take no Prisoners

            O oitavo lançamento do selo tailandês Sociopath dá uma primeira amostra a que veio, seu propósito, sua visão de música para pistas de dança, cujo projeto de engenharia muitas vezes é engendrado no interior de quartos adolescentes de classe média. O álbum é composto de 10 peças, que funcionam mais como vinhetas, todas de vinte e seis segundos. As peças são um amontoado de riffs de guitarra thrash ultra-saturados com uma base de beats quebrados e agressivos. Portanto, o elemento concreto é proeminente e pouco se percebe o uso de síntese, que às vezes dá as caras em silvos reverberados aproximando muito de osciladores simples. Breve, curto e violento.
 
Weirdo – maDnBrain

O título é um tanto elucidativo. Loucura. Drum and Bass. Cérebro. Que em inglês sugere um Drum and Bass para enlouquecer o cérebro. Acho que essa é a proposta e o que define o chamado breakcore. Beats quebrados enlouquecidos sob construções, tanto sintéticas quanto concretas, escuras. Graves retumbantes malévolos é o que nos apresenta “Evil Lurks” em meio à quebradeira aparentemente desconexa. Mas é notória a ironia, o cinismo, o sarcasmo do breakcore, um subproduto ao mesmo tempo engenhos, mas construído a partir de materiais simples. O que ouvimos, mais ou menos, é um amontoado de colagens de ruídos e batidas ensandecidas. A parte sintética na maioria das vezes dá lugar à urgência de sirenes convocando ao pânico e ao desespero como evidencia “killa”. É pra dançar? Depende. Para b-boys não serve. Como mexer o corpo com esse tipo de sonoridade, afinal, por mais que o cérebro esteja enlouquecido, é em comunhão com o corpo que dá sentido à dança, e é por aí mesmo, do cérebro ao corpo perpassa uma corrente elétrica como uma trilha sonora divertidíssima para uma sessão de tortura. Apenas a junção das break beats com o hardcore não é suficiente para explicar o break core. O hardcore aqui abrange mais referenciais sonoros que apenas aqueles do eletrônico. Sim, há uma presença forte do espírito hardcore punk estadunidense do início da década de 80. Apesar das 5 faixas do álbum, nesse amontoado de detritos pouco se percebe variações gritantes entre uma faixa e outra. O material sonoro utilizado nas faixas – ruídosmaissamplersmaisdistorção – tem uma fonte comum.  Dito isto Weirdo tem uma cara? Tem uma sonoridade que o distingue? Não. E este é exatamente o ponto. Não há em “maDnBrain” uma assinatura identificável, é apenas um esporro para pistas de danças alojadas em ambientes insalubres festejados por todo tipo de nerds frustrados gordos rancorosos e pobres.
 
KENDO – Living in Leeds

A primeira faixa “Jedi Master” funciona como uma introdução, as batidas tem o volume por vezes diminuído ou então, quando mais proeminentes, desaceleradas, combinadas com uma gororoba aveludada pontilhada por sons do tipo 8bit. A partir daí o álbum logo dá lugar à desgraceira chiadeira. É o que podemos observar em “Conversational Dictocrat”. Estamos em território sonoro abrasivo e cáustico em plena conformidade com breaks bastante distintos e distorcidos. O álbum não dá tréguas – “Fucking Hardcore” – como bem demonstra o responsável.  O intermezzo meditativo experimental pseudovanguardista se dá na quarta faixa “Distraught & Frightened”. “Magical Mystery Tour Part 1” também é bem chapada, com timbres um pouco mais limpos, mas sem beats. “Flying Around The Rays of The Sun” começa com aquela sonoridade chapadinha cheio de synths iluminadinhos que lá pelas tantas cede às batidas desencontradas. Nem tudo aqui é pronto para pistas transpirantes de machos rejeitados, um pouco do que ouvimos aqui rende bons momentos em fones de ouvido ou caixinhas de qualidade acima da média enquanto você nada faz na frente do seu netbook tosco. Por aí vai e chega uma hora que cansa enquanto você espera o batidão que não chega. “Kendo Riddim” chega a dar um alento com batidas mais vagarosas, mas não vai além  e esmorece. O álbum finaliza com aquele clima de música para filmes de samurais enquanto sua esposa coze alguma coisa na cozinha no meio do ambiente tenso, suspeita pela, talvez, desonra do marido.